terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

No seio de uma família curda em Diyarbakir, sudeste da Anatólia, Turquia.


Este foi um dos episódios mais stressantes que tive em viagem. Eu e a Vanessa, uma jovem canadiana com quem viajava há já um mês, conhecemos em Diyarbakir, um jovem de vinte e quatro anos que iria alterar significativamente o rumo desse dia.

Estávamos precisamente a desperdiçar o dia na procura de um cartão de memória para a minha máquina fotográfica, antes de partir para zonas mais remotas, quando surge Mehmet de uma forma cordial, calma e curiosa, tal como era hábito na Turquia. Embora nesse momento não estivesse disposto a perder tempo em conversa, este jovem curco apercebe-se da minha impaciência e insistiu referindo que o irmão é taxista, que o poderia chamar, para juntos percorrermos algumas lojas de fotografia. A ajuda não podia ter surgido em melhor altura. Meia hora depois, o problema tinha sido resolvido.

As doze horas seguintes, foram no seu expoente máximo, um dos melhores exemplos do que é a hospitalidade para com um desconhecido. A insistência para lanchar na casa da família de Mehmet foi tanta que acabámos por aceitar e juntar-nos a eles, apesar de a Vanessa ter o voo de regresso marcado para uma hora depois. Por um lado, a ansiedade aumentava com o aeroporto a 10 km de distância, enquanto por outro na família de Mehmet despertava o desejo de nos conhecer e prolongar a conversa. No final, foi possível satisfazer a curiosidade deles e chegar ao aeroporto a tempo.

Ao regressar a casa, a refeição prolongou-se no terraço, acompanhados de uma belíssima e quente noite de verão. Homens e rapazes disfrutavam do convívio enquanto mulheres dedicavam-se a cozinhar e a serví-los. No final do serão, Mehmet e os seus convidaram-me a pernoitar.

Na manhã seguinte ao acordar deparo-me com um pequeno almoço abundante, tipicamente mediterrânico, composto por três qualidades de queijo, salada de tomate e pepino, azeitonas, pão turco, azeite e geleia acompanhado de çay, uma forma de chá preto, muito comum na Turquia.

Ao referir que me ia deslocar para Mardin, disponibilizaram imediatamente o taxi para me acompanharem até ao destino desejado. Apesar de ter tentado recusar delicadamente inúmeras vezes, deixaram-me na estação dos autocarros.

Seguia dentro da carrinha quando reparei que o veículo ao meu lado não me era estranho. Surge de novo o taxi com Mehmet fora da janela a despedir-se euforicamente com um até sempre. Os passageiros assistiam com curiosidade às despedidas, como se tratasse de um jogo de ping pong intercalado entre nós.

2 comentários:

  1. Sempre apaixonado pelas viagens Pedro. Ainda me lembro quando eramos moços e brincávamos juntos.

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